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Entrevista com Diogo Portugal

Por Cristina Sanches - Trilha Cultural

A versatilidade de Diogo Portugal

Ele é publicitário e, acima de tudo, humorista. É idealizador e curador do maior festival de humor da América do Sul, o “Risorama”, que acontece anualmente em Curitiba (RS). Diogo Portugal é dono de hilários personagens, como o famoso office-boy Elvisley do programa Zorra Total da TV Globo, a manicure Marlene Marluce Catarina, o porteiro Ediomar, a ex-prostituta Pamela Conti, o fashion Dani Ficado, o publicitário Carlos Umberto Modesto, o lutador de jiu-jitsu Bomba e a idosa Cremilda.

Estamos falando de Diogo Portugal, um dos artistas mais versáteis da nova geração de comediantes. Autor, diretor e protagonista dos espetáculos “Hã?!”, “Portugal é Aqui” e “Senta pra Rir”, no palco, Diogo Portugal se divide entre o stand-up comedy aos esquetes de humor. Seu vasto repertório tem provocado gargalhadas desenfreadas em plateias de diversas cidades brasileiras e até no Japão. Na internet, soma mais de 12 milhões de acessos e está entre os humoristas mais vistos na web.

O Trilha Cultural foi atrás desse aclamado humorista para conhecer um pouco mais sobre sua vida, carreira e projetos. Confira!

Quando e como percebeu que o humor fazia parte da sua profissão?
Diogo Portugal:
Acho que foi o destino. Em todas as outras profissões que atuei, antes de fazer humor, as pessoas acabavam rindo do meu desempenho.

E o stand-up comedy, como surgiu para você?
Diogo Portugal:
Comecei por volta de 2001. Acho o estilo fascinante; estar de cara limpa, de frente para uma plateia faz com que você passe a sua essência, rola muita verdade nos textos. Às vezes a plateia ri da sua desgraça. De lá pra cá venho escrevendo e atuando com frequência no stand up.

Qual a essência do stand-up?
Diogo Portugal:
Para criar logo de cara um vínculo com a plateia é preciso que o público acredite no que você está falando. Por isso que no stand up funciona muito essa coisa de explorar seus defeitos, do gordo falar de como é a vida de gordo, e as situações que ele sofre etc. Mas também achar observações em coisas que nos deparamos todos os dias, mas não costumamos prestar atenção. Nos detalhes.

Acha que é fundamental todo humorista de stand-up começar no palco de um bar?
Diogo Portugal:
Sim. Assim como acho que o humorista nunca deve abandonar o bar durante toda a sua carreira, mesmo que já esteja bem sucedido. O bar é como se fosse uma academia para o comediante. É ali que ele testa material, treina o improviso. No bar coisas acontecem ao mesmo tempo: alguém fala no meio do seu texto e te desconcentra, um garçom passa na sua frente e quebra um copo. Você conta com obstáculos e é preciso estar atento. E isto é muito importante para o humorista.

Em sua opinião, quais os assuntos provocam riso na plateia?
Diogo Portugal:
Assuntos atuais geralmente ganham o riso imediato da plateia, ainda mais se a piada for bem elaborada. Todos se identificam com um assunto que está na boca do povo e manchetes de jornal, porém, para nós, é um material perecível, dura no máximo uma semana, quem sabe duas.

O que acha da qualidade do humor atual, muitas vezes cruel com pessoas, principalmente celebridades?
Diogo Portugal:
Os programas humorísticos estão crescendo a cada dia. É lógico que com tanta quantidade é impossível que não caia a qualidade. A gente vê muita gente copiando várias receitas novas e antigas e no final tudo acaba ficando com a mesma cara. Mas também tem muita coisa engraçada. Com relação às celebridades, o público consegue sacar quando o humorista pegou pesado e isso vai pegar mal para ele. Mas também acho que as celebridades são pessoas públicas e não deveriam levar tão a sério algumas piadas.

Há limites para fazer humor?
Diogo Portugal:
Não. O que deve existir é bom senso

Existe uma receita pronta para fazer humor?
Diogo Portugal:
Ainda bem que não. O humor sempre vai depender da performance e carisma de quem faz. Mas acredito que uma boa piada é aquela que faz o publico pensar: “Como eu nunca pensei nisso antes?”.

Admira o trabalho de algum humorista?
Diogo Portugal:
Sim. Sou fã de carteirinha da maioria dos meus colegas. Porém, se eu for fazer uma lista, posso me esquecer de alguém, e não quero ser injusto.

Fale um pouco do processo de criação dos seus textos.
Diogo Portugal:
É difícil. Às vezes as ideias vêm e às vezes parece que elas ficaram surdas de repente, e não querem mais atender aos meus chamados. Existe uma coisa chamada prazo, que geralmente faz com que as minhas criações surjam do nada. A necessidade faz uma boa ideia aparecer.

Como faz para se aperfeiçoar como humorista?
Diogo Portugal:
Procuro assistir a muita coisa, não só de humor. Mas se tenho de uma hora para outra uma ideia que acho legal, não espero uma oportunidade aparecer: faço na hora, mesmo sem grana. Com a internet não é mais preciso ter uma emissora e sim uma pequena câmera.

Você já se apresentou no Japão para brasileiros. Como foi a experiência?
Diogo Portugal:
Muito legal! Acabei de voltar de lá. Foi a segunda vez no país. Estive no Japão também em 2008 e nas duas vezes tive um público muito receptivo. Adoro aquele o Japão, é uma viagem ao futuro e ao passado ao mesmo tempo. Os brasileiros que moram lá acompanham as notícias do Brasil e isso facilita muito para fazer o show. Mesmo depois da crise e com a volta de muitos brasileiros, tive uma plateia legal. Muitos foram na segunda vez que estive lá. Quero voltar mais vezes.

Algum projeto novo?
Diogo Portugal:
Sim. Volto em cartaz em São Paulo com a peça “Senta pra Rir”, no teatro das Artes do Shopping Eldorado, todas as quintas-feiras, quando me apresento como MC e sempre levo três humoristas convidados. No mesmo teatro, na última quinta do mês, apresento um projeto ousado e inovador chamado “A Fritada”, em que também como MC eu convoco um time de seis humoristas e uma celebridade que será fritada.

Estudamos a vida dela e fazemos piadas picantes sobre sua carreira. Muitos famosos têm aceitado o desafio, que tem sido um hit na internet. Na verdade, o fritado sabe que só escolhemos fritar quem a gente tem profunda admiração! Para saber mais é só digitar no YouTube “A Fritada”. Até agora já foram fritados Rita Cadillac, Mieli, Rogéria e o comediante Fernando Caruso.

Sendo mineira, de Belo Horizonte, não posso deixar de perguntar: conhece pessoalmente algum humorista mineiro?
Diogo Portugal:
Sim. Tenho dois grandes amigos que moram em BH, ambos são comediantes: Geraldo Magela e Carlos Nunes. E conheço e adoro a cidade. Quando vou a BH tento voltar sempre ao Mercado Central.

Perfil

1-Nome, idade e profissão?
Diogo Portugal, 41, humorista

2-Cor preferida?
Verde, a cor do meu time Coxa! (Coritiba Futebol Club)

3-Gosta de cozinhar?
Gosto muito

4-Prato preferido?
Feijão, arroz bife e batata frita! Também me amarro num Tutú!

5-Restaurante preferido?
Barolo, em Curitiba

6-Lazer?
Gosto muito de viajar, tocar violão e fazer esporte.

7-Lugar para viajar?
Gramado (RS) e Fernando de Noronha. Todos devem ir pelo menos uma vez na vida.

😯 que não pode faltar em uma viagem?
Câmera fotográfica.

9-Lugar que deseja conhecer?
O leste europeu.

10-Livro?
A Escolha Certa de OG. Mandino.

11-Cantor?
Bono Vox, do U2.

12-Ator?
Robert De Niro.

13-Filme?
Quem quer ficar com Mary.

 

 

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