16/10/2010
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A versatilidade de Diogo Portugal
Ele é publicitário e, acima de tudo, humorista. É idealizador e curador do maior festival de humor da América do Sul, o “Risorama”, que acontece anualmente em Curitiba (RS). Dono de hilários personagens, como o famoso office-boy Elvisley do programa Zorra Total da TV Globo, a manicure Marlene Marluce Catarina, o porteiro Ediomar, a ex-prostituta Pamela Conti, o fashion Dani Ficado, o publicitário Carlos Umberto Modesto, o lutador de jiu-jitsu Bomba e a idosa Cremilda.
Estamos falando de Diogo Portugal, um dos artistas mais versáteis da nova geração de comediantes. Autor, diretor e protagonista dos espetáculos “Hã?!”, “Portugal é Aqui” e “Senta pra Rir”, no palco, Portugal se divide entre o stand-up comedy aos esquetes de humor. Seu vasto repertório tem provocado gargalhadas desenfreadas em plateias de diversas cidades brasileiras e até no Japão. Na internet, soma mais de 12 milhões de acessos e está entre os humoristas mais vistos na web.
O site Trilha Cultural foi atrás desse aclamado humorista para conhecer um pouco mais sobre sua vida, carreira e projetos. Confira!
Quando e como percebeu que o humor fazia parte da sua profissão?
Acho que foi o destino. Em todas as outras profissões que atuei, antes de fazer humor, as pessoas acabavam rindo do meu desempenho.
E o stand-up comedy, como surgiu para você?
Comecei por volta de 2001. Acho o estilo fascinante; estar de cara limpa, de frente para uma plateia faz com que você passe a sua essência, rola muita verdade nos textos. Às vezes a plateia ri da sua desgraça. De lá pra cá venho escrevendo e atuando com frequência no stand up.
Qual a essência do stand-up?
Para criar logo de cara um vínculo com a plateia é preciso que o público acredite no que você está falando. Por isso que no stand up funciona muito essa coisa de explorar seus defeitos, do gordo falar de como é a vida de gordo, e as situações que ele sofre etc. Mas também achar observações em coisas que nos deparamos todos os dias, mas não costumamos prestar atenção. Nos detalhes.
Acha que é fundamental todo humorista de stand-up começar no palco de um bar?
Sim. Assim como acho que o humorista nunca deve abandonar o bar durante toda a sua carreira, mesmo que já esteja bem sucedido. O bar é como se fosse uma academia para o comediante. É ali que ele testa material, treina o improviso. No bar coisas acontecem ao mesmo tempo: alguém fala no meio do seu texto e te desconcentra, um garçom passa na sua frente e quebra um copo. Você conta com obstáculos e é preciso estar atento. E isto é muito importante para o humorista.
Em sua opinião, quais os assuntos provocam riso na plateia?
Assuntos atuais geralmente ganham o riso imediato da plateia, ainda mais se a piada for bem elaborada. Todos se identificam com um assunto que está na boca do povo e manchetes de jornal, porém, para nós, é um material perecível, dura no máximo uma semana, quem sabe duas.
O que acha da qualidade do humor atual, muitas vezes cruel com pessoas, principalmente celebridades?
Os programas humorísticos estão crescendo a cada dia. É lógico que com tanta quantidade é impossível que não caia a qualidade. A gente vê muita gente copiando várias receitas novas e antigas e no final tudo acaba ficando com a mesma cara. Mas também tem muita coisa engraçada. Com relação às celebridades, o público consegue sacar quando o humorista pegou pesado e isso vai pegar mal para ele. Mas também acho que as celebridades são pessoas públicas e não deveriam levar tão a sério algumas piadas.
Há limites para fazer humor?
Não. O que deve existir é bom senso
Existe uma receita pronta para fazer humor?
Ainda bem que não. O humor sempre vai depender da performance e carisma de quem faz. Mas acredito que uma boa piada é aquela que faz o publico pensar: “Como eu nunca pensei nisso antes?”.
Admira o trabalho de algum humorista?
Sim. Sou fã de carteirinha da maioria dos meus colegas. Porém, se eu for fazer uma lista, posso me esquecer de alguém, e não quero ser injusto.
Fale um pouco do processo de criação dos seus textos.
É difícil. Às vezes as ideias vêm e às vezes parece que elas ficaram surdas de repente, e não querem mais atender aos meus chamados. Existe uma coisa chamada prazo, que geralmente faz com que as minhas criações surjam do nada. A necessidade faz uma boa ideia aparecer.
Como faz para se aperfeiçoar como humorista?
Procuro assistir a muita coisa, não só de humor. Mas se tenho de uma hora para outra uma ideia que acho legal, não espero uma oportunidade aparecer: faço na hora, mesmo sem grana. Com a internet não é mais preciso ter uma emissora e sim uma pequena câmera.
Você já se apresentou no Japão para brasileiros. Como foi a experiência?
Muito legal! Acabei de voltar de lá. Foi a segunda vez no país. Estive no Japão também em 2008 e nas duas vezes tive um público muito receptivo. Adoro aquele o Japão, é uma viagem ao futuro e ao passado ao mesmo tempo. Os brasileiros que moram lá acompanham as notícias do Brasil e isso facilita muito para fazer o show. Mesmo depois da crise e com a volta de muitos brasileiros, tive uma plateia legal. Muitos foram na segunda vez que estive lá. Quero voltar mais vezes.
Algum projeto novo?
Sim. Volto em cartaz em São Paulo com a peça “Senta pra Rir”, no teatro das Artes do Shopping Eldorado, todas as quintas-feiras, quando me apresento como MC e sempre levo três humoristas convidados. No mesmo teatro, na última quinta do mês, apresento um projeto ousado e inovador chamado "A Fritada", em que também como MC eu convoco um time de seis humoristas e uma celebridade que será fritada.
Estudamos a vida dela e fazemos piadas picantes sobre sua carreira. Muitos famosos têm aceitado o desafio, que tem sido um hit na internet. Na verdade, o fritado sabe que só escolhemos fritar quem a gente tem profunda admiração! Para saber mais é só digitar no YouTube “A Fritada”. Até agora já foram fritados Rita Cadillac, Mieli, Rogéria e o comediante Fernando Caruso.
Sendo mineira, de Belo Horizonte, não posso deixar de perguntar: conhece pessoalmente algum humorista mineiro?
Sim. Tenho dois grandes amigos que moram em BH, ambos são comediantes: Geraldo Magela e Carlos Nunes. E conheço e adoro a cidade. Quando vou a BH tento voltar sempre ao Mercado Central.
Perfil
1-Nome, idade e profissão?
Diogo Portugal, 41, humorista
2-Cor preferida?
Verde, a cor do meu time Coxa! (Coritiba Futebol Club)
3-Gosta de cozinhar?
Gosto muito
4-Prato preferido?
Feijão, arroz bife e batata frita! Também me amarro num Tutú!
5-Restaurante preferido?
Barolo, em Curitiba
6-Lazer?
Gosto muito de viajar, tocar violão e fazer esporte.
7-Lugar para viajar?
Gramado (RS) e Fernando de Noronha. Todos devem ir pelo menos uma vez na vida.
8-O que não pode faltar em uma viagem?
Câmera fotográfica.
9-Lugar que deseja conhecer?
O leste europeu.
10-Livro?
A Escolha Certa de OG. Mandino.
11-Cantor?
Bono Vox, do U2.
12-Ator?
Robert De Niro.
13-Filme?
Quem quer ficar com Mary.
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