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Divirta-se até na hospedagem

Um dos maiores gastos numa viagem pode estar na hospedagem. Ou não. Tudo depende do quanto de informação se pode ter no “pré-viagem” sobre os ótimos hostels/albergues espalhados pelo Brasil e mundo afora.

Para uma viajante sem luxos, é comum ouvir alguns comentários do tipo: “você é louca de ficar dormindo com gente desconhecida”, “é o cúmulo da pãoduragem ficar em albergues”…E a pergunta sine qua non de quem não sabe sobre o que está falando: “credo, você tem coragem de dormir em albergues com os sem teto?”

Mas antes de continuar, algumas explicações: albergues não são casas do albergado, pelo amor de Deus ou de São Cristovão, para os que creem, o protetor dos viajantes!  É impressionante como ainda existem pessoas que confundem albergues com casa do albergado. As palavras são até parecidas, mas os significados são abissalmente distintos.

Uma síntese básica: casa do albergado são espaços destinados a detentos que cumpram pena privativa de liberdade no regime aberto – ou seja, nada a ver com mendigos, pra começar.

Já albergues (ou hostel / hostal) são “mini hotéis” com uma proposta diferente: são menores (embora alguns possam ser imensos), o serviço de quarto pode ser bem básico ou inexistente, há cozinha disponível aos hóspedes, e têm quartos coletivos para viajantes que estão ou com orçamento apertado ou dispostos a conhecer novas pessoas. Mas para os que não querem a aventura de dormir com possíveis novos amigos, há quartos individuais, de casais e por aí afora, como em qualquer hotel.

Há os albergues/hostels da rede Hostelling International (HI) que se espalham por várias partes do mundo e são credenciados ( há uma carteirinha anual para descontos) ou então os chamados albergues independentes – em que há mais variedade de pessoas porque não exige a carteirinha. Simples assim.

A busca por um albergue/hostel deve ser tão criteriosa como a de um hotel. Há vários sites para pesquisar as ofertas e também contam com notas e opiniões de outros hóspedes. O Hostel World, por exemplo, conta não só com vários hostels cadastrados como também disponibiliza informações sobre os destinos e coloca os usuários em contato com outros viajantes. Há ainda o Hostel Bookers e o Hostel Club.

Algumas vezes o espírito está bem aventureiro e a boa pedida é um quarto coletivo feminino. Ou então, depois de dias de viagens, é preciso ficar um pouco só em quarto privado. Tá acompanhada do namorado/marido/namorido? Então há também o quarto de casal. Tá levando o filho junto? Quarto de casal com cama de solteiro. Ou em casos em que não há vagas? Já me hospedei até em quartos mistos, muito comuns na Europa (uma aventura a parte, confesso). Há para todos os estilos…assim como os hotéis.

Acho que a maior diferença mesmo entre um hostel e um hotel é a proximidade que um hostel cria entre os hóspedes. Há mesas de jogos, há horários para filmes, há salas comunais em que todos veem televisão/filmes juntos. O staff geralmente é escolhido “a dedo” pela simpatia. E, em alguns, há festas e saídas para boates/passeios juntos. Ou seja, para viajantes de qualquer idade e proposta.

E os cuidados são os mesmos:

– Pesquise bastante as referências dos albergues. Há blogs e mais blogs de viajantes que se renderam aos hostels. Vale muito a pena pesquisar por vários deles, que contam com informações dentro e fora do Brasil. Só para se ter uma ideia, em um único bairro do Rio de Janeiro, como Copacabana, fica até difícil saber quantos existem, tamanha é a quantidade de hostels/albergues independentes.

– Converse com outros viajantes e google o máximo possível por blogs. É uma ótima maneira de conhecer novos viajantes e ter dicas quentes de hospedagem e passeios.

– Alguns hostels têm armários. Outros não. Opte pelos que os têm e de preferência de graça. Alguns já têm chave, mas para os desconfiados é possível acrescentar um cadeado pessoal.

– Muitos albergues contam com luggage room, onde é possível guardar a bagagem antes do check in ou depois do check out e continuar passeando – já fiz isso várias vezes quando resolvia conhecer outras cidades e teria que voltar ao destino inicial.

– Alguns albergues têm política de descontos depois de alguns dias de hospedagem. Em muitos é possível ganhar até noite grátis. Então, pesquise bastante.

– Não é tão comum furtos em albergues assim como não são comuns em hotéis. É uma questão de estar atento mesmo e não deixar dinheiro e passaporte “dando sopa” em cima da cama. Aí já é demais!

– Quando estiver reservando albergues esteja atento: ensuites é banheiro dentro do quarto (ou seja, banheiro privativo) e shared bathroom os banheiros compartilhados.

– Não é sempre que os albergues disponibilizam toalhas, então em alguns casos elas podem ser cobradas, mas nada exorbitante.

– Para os que quiserem lavar roupas, geralmente há lavanderias internas, com máquinas do tipo “made yourself”. A dica é: se não tiver tanta roupa para lavar/secar, o ideal é juntar com outro alguém do albergue e dividir a conta.

– E os que estão com orçamento super apertado, as cozinhas dos hostels são bem equipadas para refeições rápidas.

O importante é entender que essa é uma maneira barata e divertida de viajar para conhecer novos costumes. Albergues recebem gente do mundo todo, de todas as idades e tribos. Se você é do tipo que parte da filosofica “cada um com seu cada qual”, então sem dúvida vai se divertir e ter ótimas histórias para lembrar (e até contar, se preferir!).

 

Mônica SouzaPor Monica Sousa
Monica Sousa é jornalista. Mestre em Comunicação. Viajante sem luxos. Descobriu o prazer de viajar sozinha e não parou mais. No blog batendo-perna mostra que é possível se divertir gastando pouco. Viajar bem e barato.

 

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